quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Nota de Esclarecimento dos Professores


Nota de Esclarecimento dos Professores

Nós, professores da escola do Instituto Paranaense de Cegos – IPC, estamos profundamente consternados com a dimensão que tomou o fato ocorrido no dia 24/02/2014 nas dependências do estabelecimento. 

Não negamos o incidente impróprio e grave, porém diferentemente do que está sendo exposto na mídia, a instituição tomou as providências que entendeu cabíveis na tentativa de não expor os menores a uma situação vexatória e de rotulação negativa. 

Para evitar futuros incidentes semelhante, a escola passou a adotar medidas de segurança mais rigorosas e está previsto um trabalho sobre sexualidade juntamente com psicóloga e a assistente social da instituição.

Reforçamos nosso pesar com os acontecimentos e entendemos a gravidade da situação, ainda que tenha sido maximizada pela atitude de exposição excessiva na mídia. Além disso, nós professores nos sentimos aviltados, uma vez que trabalhamos incessantemente buscando o bem estar e a qualidade de ensino para aproximadamente 150 alunos.

Colocamos-nos a disposição para esclarecimentos e aceitamos sugestões para melhorar o funcionamento da escola.

Ana Paula Vieira de Oliveira

Andrea Christiane Bueno

Beatriz Dias

Beatriz Gomes

Cintia Almeida

Diele Pedroso Santo

Fátima Freitas

Idamaris Singulani Costa

José Simão Stczaukoski

Liana Luca

Lilian Merege Biglia

Lucas Cadmiel

Maria Lenice Soares

Marília Richter

Monica Adriana Alves

Regina Célia Kiatkoski de Cristo

Rosemeire Donatti Ramiro Calegari

Silmara França

Enio Rodrigues da Rosa

Nota de Esclarecimento

 Veja o documento original CLIQUE AQUI



NOTA OFICIAL DE ESCLARECIMENTO

Na data de 24 de fevereiro do corrente ano, duas crianças com baixa visão, uma menina com 09 e um menino com 14 anos, foram encontrados no interior de um banheiro da Escola Professor Osny Macedo Saldanha, do Instituto Paranaense de Cegos (IPC).
Depois que a mãe da criança de 09 anos, decidiu tornar público o fato que até então vinha sendo tratado com sigilo e discrição, devido à complexidade e o envolvimento de crianças, a imprensa deu ampla cobertura e visibilidade ao assunto. Aliás, alguns veículos de comunicação, com certa irresponsabilidade e falta de postura ética profissional, afirmaram que a criança foi estuprada no interior do IPC.
Por isso, quando falamos em sigilo e discrição, nossa real preocupação naquele momento não era com o desgaste da imagem da instituição. Na realidade, nós não estávamos e ainda não estamos diante de fatos que são comuns e corriqueiros, como tantos outros que acontecem no interior das escolas deste país.
Temos crianças envolvidas numa questão social complexa, muitas vezes abordada a luz dos nossos valores moralistas do que propriamente a luz das garantias da proteção social das nossas crianças.
Muito embora a Escola conte com monitores que cuidam dos alunos nos horários dos intervalos, por alguma razão que ainda estamos investigando, o fato é que as duas crianças em questão, desgarraram-se das outras e ficaram trancadas no banheiro por alguns minutos.
Compreendendo a gravidade relativa do episódio, iniciamos os procedimentos regimentais, legais e usuais que são adotados em situações onde existem suspeitas de práticas de eventuais abusos sexuais.

De imediato, ouviu-se apenas a menina envolvida na ocorrência, já que o menino não foi encontrado nas dependências da instituição. Na sequência ligamos para o pai do menino e informamos a família da aluna que a mãe deveria comparecer à escola antes do término do período. É importante destacar que a conversa com a menina foi mediada pela psicóloga da instituição. Em seguida a aluna foi encaminhada as atividades normais sem apresentar nenhuma reação atípica.
Como a conversa com o pai e a mãe das crianças só terminou já no final do dia, deixamos todos os outros encaminhamentos relativos ao caso para serem retomados no dia seguinte.
Até este momento, estávamos diante de um caso aparentemente sério, mas tudo o que tínhamos de concreto é que duas crianças foram encontradas juntas no banheiro.
Estávamos tratando com os devidos e necessários cuidados que assuntos envolvendo crianças, merecem do ponto de vista pedagógico e da proteção dos seus direitos.
No entanto, a mãe da menina que durante a nossa conversa não havia manifestado a intenção de realizar exames de comprovação do suposto abuso e nem tampouco a intenção de registrar Boletim de Ocorrência (B.O.), ao deixar a escola, por iniciativa própria ou possivelmente incentivada por alguém, mudou de ideia e decidiu registrar o BO e fazer o exame sobre a possível comprovação do "estupro".
Na nossa interpretação, o fato começa a ganhar contornos mais preocupantes do ponto de vista pedagógico, quando a mãe desconsidera três dados relativamente consistentes que ainda não tinham conclusão:
a) Ninguém ainda tinha conhecimento real sobre o que de fato havia ocorrido no interior do banheiro entre as duas crianças. Juridicamente e tecnicamente falando, excluindo-se os aspectos morais, havia suspeitas sem comprovação material e ocular de algum ato ou envolvimento sexual entre as duas crianças.
b) Mesmo a mãe sabendo do resultado preliminar do laudo médico que não acusará penetração e muito menos o suposto "estupro", ainda assim ela decide divulgar na imprensa, sem nenhuma preocupação aparente com a exploração da imagem indevida da sua própria filha.
c) Se de fato a mãe estivesse preocupada com o esclarecimento do ocorrido, ela deveria esperar a conclusão do inquérito policial e do encaminhamento dado pelo Ministério Público.
Com o desdobramento da instrução do inquérito policial, já comparecemos na Delegacia da Criança e do Adolescente e prestamos todos os esclarecimentos solicitados pelo delegado que preside o processo. Caso fique comprovado, vamos arcar com as nossas responsabilidades e com as possíveis penalizações legais atribuídas pelo inquérito.
De nossa parte, resta ainda fazermos dois importantes esclarecimentos:
a) Neste episódio, não há como se falar em estupro, pois como se trata de duas crianças, ambos são incapazes e não respondem sozinhas pelos seus atos. Além do mais, dado a natureza do episódio, com dois menores envolvidos, não há como caracterizar, ou como fazer o enquadramento jurídico na configuração de estupro.
b) Estamos esperando a conclusão do inquérito policial. Caso não haja a comprovação do estupro, vamos avaliar possíveis ações judiciais por possíveis danos na imagem do IPC, vinculado na mídia como instituição onde o suposto estupro teria ocorrido. O estigma de estupro, seja pra o IPC, como para as crianças é uma marca negativa muito pesada.
Finalmente, lamentamos pelo ocorrido e pedimos desculpas, não apenas para as famílias das crianças, mas também para as famílias dos outros alunos, para os outros usuários dos serviços da Escola e para a sociedade em geral.
Da mesma forma, também lamentamos que a própria mãe da menina tenha decidido explorar a imagem da filha, como elemento de comoção social. Como isso partiu da própria mãe, só temos a lamentar.
Refletindo, às vezes temos a impressão que o motivo estava muito mais voltado para tentar desgastar a imagem do IPC, do que propriamente buscar o real esclarecimento dos fatos.
De nossa parte, desde o início, agimos preocupados em proteger a imagem das crianças. Acima de quaisquer outros interesses, as nossas preocupações sempre foram com os efeitos e as consequências psicológicas e emocionais das crianças.


Curitiba, 27 de fevereiro de 2014.


Professor Enio Rodrigues da Rosa.        Professora Idamaris Singulani Costa.
           Diretor do IPC.                                       Diretora da Escola.


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

XI Seminário de Educação Especial

Boa tarde!

Está disponível o FOLDER_PEE_XI_Seminário  para Download.

TEMA: 
A Concepção de Pessoa com Deficiência e a Prática Pedagógica na Perspectiva Histórico Cultural do Professor no Ensino Regular


Programa Institucional de Ações Relativas às Pessoas com Necessidades Especiais,
 PEE/ UNIOESTE - PR

DATA:
10,11 e 12 de Abril

LOCAL:
Anfiteatro da Unioeste, Campus de Cascavel
Rua Universitária, 2069
Jardim Universitário

INSCRIÇÕES GRATUITAS
Período para Inscrição:
1 a 15 de Março de 2014

OBS.: Inscrições somente pelo site:
www.unioeste.br/peeseminario2014

Vagas Limitadas (500 vagas)
Mais informações: (45) 3220-3281

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

I ENCONTRO BRASILEIRO DE MULHERES COM DEFICIÊNCIA VISUAL


"RELATÓRIO DO I ENCONTRO BRASILEIRO DE MULHERES COM DEFICIÊNCIA VISUAL


Equipe da relatoria:
Daiani Domingos
Débora Marques Gomes
Inês Berlanda Seidler
Telma Nantes de Matos


Nos dias 18, 19 e 20 de outubro do corrente, foi realizado na cidade de Brasília, Distrito Federal, o I ENCONTRO BRASILEIRO DE MULHERES COM DEFICIÊNCIA VISUAL, promovido pela Organização Nacional de Cegos do Brasil – ONCB, em parceria com a Fundação ONCE de Solidariedade para com as Pessoas Cegas da América Latina – FOAL, com o objetivo de mobilizar as mulheres com deficiência visual representantes das entidades filiadas a ONCB em favor da constituição da rede ONCB de mulheres; conscientizar as mulheres com deficiência visual sobre a necessidade de seu empoderamento em favor da luta pelos direitos humanos e cidadania; debater sobre assuntos relativos à mulher com deficiência visual.
O evento teve início na manhã do dia 18 de outubro, tendo como componentes da mesa na solenidade de abertura, o Sr. Moisés Bauer Luiz, presidente da Organização Nacional de Cegos do Brasil - ONCB, o Sr. Volmir Raimondi, presidente da União Latinoamericana de Cegos – ULAC e patrono da FOAL, a Sra. Rosário Galarza Secretária de Equidade e Gênero da ULAC, a Sra. Viviane Ferreira, Secretária de Gênero da ONCB, a Sra. Rita Mendonça assessora da Deputada Rosinha da ADEFAL, a Sra. Ieda Maria Moraes da Silva, representante da ABEDEV – Associação Brasileira de Educadores de Deficientes Visuais, o Sr. Peter, vice-presidente da Humanware, a Sra. Angela Maria Mesquita Fontes, Secretária Adjunta da Secretaria de Articulação Institucional e Ações Temáticas da Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República, e o Sr. Sandro Laina Soares presidente da CBDV- Confederação Brasileira de Desporto para Deficientes Visuais.
Após a execução do Hino Nacional, os componentes da mesa ressaltaram a importância da realização do evento, e do fortalecimento da rede de mulheres com deficiência visual, para que possam atuar  nos diferentes espaços sociais.  
 Depois de declarado aberto o I ENCONTRO BRASILEIRO DE MULHERES COM DEFICIÊNCIA VISUAL, teve início a programação técnica, com a  Conferência Magna, com o tema:

A luta das mulheres em movimentos organizados e políticas públicas.
Conferencista – Angela Maria Mesquita Fontes – Secretária Adjunta da Secretaria de Articulação Institucional e Ações Temáticas da Secretaria de Políticas para Mulheres – Presidência da República;

Em sua fala, a conferencista faz uma abordagem histórica a respeito da função da mulher na sociedade. Traz o modelo feudal como ponto de partida, onde a mulher na infância é tutelada pelo pai, e posteriormente pelo irmão ou pelo marido. Faz um paralelo com a sociedade capitalista, que trouxe avanços no que tange a questão de gênero, como advento da pílula anticoncepcional, direito de acesso a educação formal, inserção no mercado de trabalho, licença paternidade de cinco dias, garantida na Constituição Federal de 1988, mudanças relacionadas a atitudes masculinas, tais como, demonstração de afeto para com os filhos, bem como cuidados com os mesmos, e divisão das tarefas domésticas. O direito ao voto também se constitui em um marco nas conquistas das mulheres. Outro ponto que merece destaque refere-se à criação de espaços nas diferentes esferas da sociedade de garantia e defesa dos direitos da mulher, dentre eles, delegacia da mulher, realização de conferências para tratar de assuntos relacionados à mulher, criação da secretaria da mulher e, coordenadoria da mulher.
 Ressalta que embora a sociedade tenha avançado significativamente neste aspecto, ainda existem inúmeras barreiras a serem transpostas, uma vez que nos deparamos com o fato de que apenas 10% de mulheres no país ocupam cargo de relevância, o que se atribui as questões de gênero ainda muito presentes na sociedade.
Nesta perspectiva, a mulher com deficiência, além das questões de gênero, traz consigo o estigma de incapacidade atribuído à deficiência, o que torna mais árdua a transposição das barreiras impostas pela visão da sociedade acerca da mulher e da deficiência.
Conclui que as políticas públicas devem ser pensadas para a sociedade em geral, porém respeitando as especificidades existentes em toda a esfera social.

Mesa Redonda: Protagonismo, incidência política e as diferentes realidades da atuação da mulher na vida social e política.
Expositores:
- Emmanuelle Lopes Garrido Alkmin Leão, Secretária Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida de Campinas – SP. Maria do Socorro Belarmino de Sousa, Secretária de Educação da ONCB.

Nesta mesa as expositoras, além de abordarem questões históricas acerca da conquista da mulher na sociedade, contextualizando a instituição do dia internacional da mulher. Relacionado também a abordagem histórica, expuseram marcos das conquistas, tais como, direito ao voto, em 1932, concedido às mulheres casadas desde que com a prévia permissão do marido, ou mulheres solteiras ou viúvas independentes financeiramente. Atualmente é considerada conquista da mulher o disposto na Convenção dos Direitos Humanos da ONU. Relativo à mulher com deficiência visual, é enfatizada a criação da Secretaria de Gênero da ONCB.
Em seguida são abordadas temáticas ligadas a segurança e participação da mulher com deficiência visual. É ressaltada a questão de não ser considerado judicialmente o reconhecimento do agressor, pela vítima com deficiência visual. Tal fato reforça a questão dos estigmas de gênero e deficiência.
As expositoras concluem dando ênfase a importância do conhecimento por parte das mulheres de seus direitos, bem como o envolvimento das mesmas nos espaços sociais e políticos.

Palestra: Os Direitos das Mulheres Com Deficiência na Convenção da ONU.
Palestrante - Dr Joelson Dias, ex-ministro Substituto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE); Representante Conselho Federal da OAB no Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos e no Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, ambos vinculados à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

O palestrante inicia conceituando política como sinônimo de democracia, respeito e tolerância. Afirma que os direitos das pessoas com deficiência dispostos na Constituição Federal não vinham sendo respeitados, assim, fez-se necessário a adesão do país à Convenção dos Direitos Humanos promulgado pela ONU.
Um fator que foi ressaltado quanto à legislação para pessoas com deficiência, é que a Convenção é um documento que garante direitos e somente muda esse status quando há outro documento com mais validade legal, a medida que este garanta mais benefícios, isto é, a Convenção não se constitui em documento com maior validade legal, desde que o documento que prevaleça, seja o mais benéfico.
Ainda discorrendo acerca dos direitos das pessoas com deficiência, coloca que durante a aprovação da Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência da ONU, houve a preocupação dos países signatários acerca da representatividade das pessoas com deficiência nos assuntos a elas relacionados. Assim, surge durante a adesão a Convenção o lema “Nada para nós sem nós”.
O palestrante finaliza ressaltando a necessidade de adotarmos o modelo social de deficiência, para que assim rompamos no seu ponto de vista com a maior barreira enfrentada pelas pessoas com deficiência, a barreira atitudinal.

Mesa Redonda: A Lei Maria da Penha, o enfrentamento à violência contra a mulher e a atuação da DAEM.
  Expositoras:
- Simone Sampaio, psicóloga chefe da seção da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher de Brasília.
- Dra Wânia Pasineto – Socióloga e pesquisadora da temática em questão.

  As expositoras relatam que a lei Maria da Penha foi criada em virtude da violência sofrida pela mulher em ambiente doméstico, ambiente este que deveria ofertar acolhimento e afeto. A violência é enquadrada na lei citada de acordo com os laços de afetividade ou consanguinidade entre vítima e agressor.
 Uma vez considerado crime de violência doméstica, este após denunciado não é passível de retirada de queixa. O arquivamento do processo pode ocorrer na última instância judicial, se o juiz der parecer favorável para tal.  Havendo o julgamento, se o réu não for condenado à reclusão, este é encaminhado pela justiça à rede de apoio, para participar de programas de reintegração social.
A vítima de violência doméstica, no ato da denúncia é ouvida pelas autoridades policiais, e deve se houver relatar as testemunhas do ato, e entregar as autoridades policiais provas existentes para posterior perícia.
 Em casos de ameaça a vida da vítima, é decretada medida protetiva, com notificação judicial ao denunciado. Caso este descumpra as ordens judiciais, será detido preventivamente.
  Embora a Lei Maria da Penha seja uma das mais importantes, não funciona de acordo com o disposto em sua redação, visto que se faz necessário a criação da rede de apoio, que por meio de trabalho retirem a mulher da condição de vulnerabilidade.
  Em se tratando de atendimento a mulheres com deficiência vítimas de agressão, o despreparo dos profissionais prejudica o acesso e participação dessas mulheres desde o momento da denúncia, até sua inserção nos programas de apoio.
  Concluem enfatizando a importância de aplicabilidade da lei não só na esfera judicial, mas sim em sua amplitude social, e política.

Mesa Redonda: Educação para a mulher: consciência, empoderamento e cidadania.
Expositoras:
Martinha Clarete Dutra dos Santos - Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão – SECADI do Ministério da Educação
Solange Maria Ferreira - Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da pessoa com Deficiência

As expositoras trazem uma abordagem sociológica da construção identitária do homem e da mulher, ressaltando o espaço escolar como reforçador dessa identidade e seus estigmas.
Relatam também que dados estatísticos apontam que 26,5% da população brasileira é composta por mulheres, e que 48,75% dos crimes de violência contra esta população com alguma deficiência são crimes de estupro, apodera mento de aposentadoria, negligência, ou abandono, cometidos por familiares ou cuidadores.
 Finalizam a exposição informando que nos dias 7, 8 e 9 de novembro realizar-se-á o I SEMINÁRIO NACIONAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS E MULHER COM DEFICIÊNCIA, promovido pela Secretaria de Direitos Humanos através da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da pessoa com Deficiência e da Secretaria de Políticas para Mulheres.   

Mesa Redonda: Emprego, trabalho e capacitação profissional para a mulher.
Expositores:
- Leondeniz Cândido de Freitas - Servidor do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná e integrante da Comissão de Acessibilidade desse órgão
- Dra Maria Aparecida Gurgel - Subprocuradora do Ministério Público do Trabalho
- Melissa  Santos Bahia - Gestora de empregabilidade da Associação de Cegos do Rio Grande do Sul – ACERGS

 Os expositores colocam que a acessibilidade é o pré-requisito para a superação de barreiras no que tange ao acesso ao mundo do trabalho pela pessoa com deficiência.  A primeira providência a ser tomada para que esta pessoa chegue ao trabalho, é proporcionar um ambiente livre de barreiras.
 Dentre as barreiras a serem transpostas, encontram-se a Adaptação razoável e acessibilidade que estão no mesmo patamar de importância. Aquele que se negar a adaptação razoável está discriminando a pessoa com deficiência. Esta está voltada para a natureza de cada trabalhador, específica a necessidade decorrente da deficiência. A produtividade desse trabalhador será proporcional a adaptação deste ambiente.
 Dentre os diversos tipos de discriminação sofridos pelas pessoas com deficiência no mundo do trabalho, dois deles merecem destaque. A Discriminação institucional, que acontece na ação do empregador. E a discriminação Indireta, que consiste na utilização de mecanismos de exclusão no momento da entrevista. Perpassa pelas questões de gênero inicialmente, e posteriormente pela questão da deficiência. Nesse viés, apresentam Dados obtidos na Superintendência do Trabalho, que tem como base, dados provenientes de empresas públicas e privadas (celetista – CLT), até 2011. No Brasil a incidência de pessoas com deficiência visual no mercado de trabalho por gênero é de: mulheres: 7769 e homens: 14.078.
 Durante a exposição, é ressaltado o quão importante é a experiência profissional oportunizada pelo programa Jovem Aprendiz, no amadurecimento profissional de cada indivíduo. 
 Referente aos concursos públicos chama a atenção aos meios utilizados para envios de documentos que comprovem a deficiência, uma vez que estes não podem onerar o candidato. Antes da efetivação da inscrição, devem ser Observadas as atribuições do cargo, e a reserva de vagas, que deve no ato da nomeação ser alternada e proporcional, conforme previsto em lei.
  A legislação também prevê no decreto 3298, a jornada de trabalho reduzida, aplicada a pessoas cuja deficiência dificulte ou inviabilize a permanência do trabalhador por extenso período no local de trabalho. Cabe ressaltar, que a remuneração é proporcional a jornada de trabalho realizada pelo trabalhador.
 Mediante ao respaldo legal que prevê garantia de acesso e permanência do profissional com deficiência no mercado de trabalho, faz-se necessário fiscalizar e fazer cumprir o previsto na legislação. No entanto, o trabalhador deve agir com postura profissional, uma vez que tal ação será parte integrante da construção de sua identidade profissional, e contribuirá para o ingresso de outros profissionais em condições semelhantes.  
  Os conferencistas encerram concluindo que, o ideal a ser atingido é que todos os ambientes sejam acessíveis para todo tipo de deficiência, visto que, Se todos os ambientes precisam ser saudáveis e seguros, é necessário que o empregador aplique a ações que viabilizem este ambiente.

Palestra: A participação da mulher com deficiência visual no Desporto e Paradesporto
Palestrante: Sandro Laina Soares – Presidente da Confederação Brasileira de  Desporto para Deficientes Visuais  – CBDV

  O palestrante enfatiza a importância da prática desportiva para saúde e qualidade de vida, e que as associações devem motivar seus associados à prática desportiva, seja para fins de lazer, ou alto rendimento. Comenta também que um instrumento motivador à prática desportiva de alto rendimento, é a bolsa atleta, programa federal que é concedido aos primeiros colocados em competições nacionais. Informa que alguns estados também adotaram esta iniciativa.
    Embora os motivadores sejam ofertados, observa-se pequena participação de mulheres com deficiência visual nas modalidades oferecidas pela CBDV, se comparada à participação masculina.
    Finalizando sua fala, o palestrante informa que as modalidades de atletismo e natação de alto rendimento são gerenciadas pelo Comitê Paralímpico Brasileiro – CPB.

Palestra: Políticas públicas em saúde dirigidas a mulher com deficiência:
Palestrante: Carlos Eduardo Ferrari - representante do Conselho Nacional de Saúde.

O palestrante inicia sua fala, dizendo que o Brasil é um dos países com menor orçamento destinado a saúde. Tal fato acarreta em baixa qualidade nos atendimentos voltados à população.
Movimento Saúde Mais dez, é um Projeto de Lei de iniciativa popular, que propõe a destinação de déz por cento do PIB, para esta política, e que visa contribuir para modificar essa realidade. A mudança deste cenário, será conquistada a medida que haja maior participação da população nos espaços de controle social. Empoderar as pessoas para que cobre das instâncias a garantia de seus direitos, se constitui no exercício da cidadania. Ressalta que tal ação também se aplica as pessoas com deficiência, mulheres e homens, em busca de seus direitos e deveres de cidadão.

Mesa redonda: prevenção de doenças e a sexualidade das mulheres e meninas;
Expositores:
- Dr. Tarciso Shimbeck - Médico oftalmologista  do Visão Institutos Oftalmológicos Associados - INBOL, especialista em glaucoma, pesquisador das causas de deficiência visual  vinculadas  aos  aspectos genéticos.
 - Dra. Lizandra Moura Paravidine Sasaki - Chefe da área de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Universitário de Brasília – HUB

  A Dra. Lisandra inicia enfatizando a importância do planejamento familiar, bem como a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, e cuidados com a saúde da mulher. Apresenta  dados que mostram que dos tipos de câncer existente, os ginecológicos ocupam o topo da pirâmide.
 O Dr. Tarciso, reforça a importância do planejamento familiar, e aconselhamento genético, no entanto, informa que no Brasil ainda não existem laboratórios especializados em exames que tragam indicativos para o aconselhamento genético.
Em seguida, explica a constituição do globo ocular, e algumas patologias que causam a deficiência visual (cegueira ou baixa visão).
Finalizando a palestra, os doutores reforçam a importância dos exames pré-natais e neonatais, dentre eles, o teste do olhinho, para diagnosticar anomalias da visão.

Palestra: Relato - O perfil das mulheres cegas de cada região geográfica do Brasil.
Palestrante: Viviane Ferreira, Secretária de Gênero da ONCB.

A palestrante apresenta a atual estrutura da ONCB, e da Secretaria de Gênero desta instituição, fazendo retrospectiva histórica da Comissão de gênero, até 2012, onde a ONCB passa a adotar uma estrutura semelhante a da ULAC, que organiza em secretarias os braços da instituição. Neste mandato foi concretizada a realização deste seminário, que já vinha sendo pensado há algum tempo.
Em seguida, a palestrante apresenta a Secretaria de Gênero com suas respectivas assessoras, a saber:
Secretária: Viviane Ferreira;
Assessora da região sul: Débora Marques Gomes;
Assessora da região sudeste: Nara Franciele Maldonado;
Assessora da região centro-oeste: Telma Nantes de Matos;
Assessora da região nordeste: Lenice Maria Couto.
 Após apresentação, a palestrante traz os dados obtidos por meio do questionário aplicado em 2009, à mulheres com deficiência visual com idade entre 16 e 75 anos, com intuito de traçar o perfil da mulher com deficiência visual do país. Apenas 300 questionários foram respondidos e enviados a ONCB. Destes, foram apresentados os seguintes dados:

Grau de deficiência: cegueira total: 55%;
Baixa visão: 45%.
Estado civil: Solteiras: 57%;
Casadas: 34%;
Separadas: 4%;
Viúvas: 5%
Escolaridade: Alfabetizadas: 15%;
Ensino Fundamental: 23%;
Ensino médio: 47%;
Ensino superior Completo: 15%;
Residência própria: 66%;
Recebe Benefício de Prestação Continuada - BPC: 37%
Carteira assinada: 43%
Processo de reabilitação: 72%
Conhecimento em informática: 68%;
Renda familiar: Até um salário mínimo: 39%
Até três salários: 37%
Acima de três salários: 24%
Eleitora: 79%;
Função de chefia: 11%
Pratica atividade física: 31%;
Conhece seus direitos: 58%;

  Finalizando sua fala, a palestrante solicita que as assessoras reúnam-se com os presentes de sua região, com o intuito de conhecer a realidade de cada estado, e para que juntos tragam sugestões de ação da Secretaria de Gênero para fortalecer a rede ONCB de mulheres.

Mesa Redonda: as Mulheres Cegas nos Movimentos Sociais: Por que constituir a Rede ONCB de Mulheres?
Expositores:
- Rosario Galarza - Secretária de Equidade e Gênero da União Latinoamericana de Cegos – ULAC.
- Patrícia Neves Raposo - Tesoureira da ONCB
- Viviane Ferreira - Secretária de Gênero da ONCB
 - Volmir Raimondi - Presidente da ULAC.
Os expositores iniciam conceituando gênero, e reforçando a importância dos movimentos feministas na construção deste conceito. Ressaltam também a efetivação da transversalidade na construção das políticas públicas.
Os expositores informam que a ULAC através da Secretaria de Equidade e Gênero, criou uma lista de discussão, com objetivo de criar e fortalecer a rede latino-americana de mulheres com deficiência visual deste continente. Os interessados em se cadastrar poderão solicitar  fazer sua  solicitação no endereço:gênero@ulacdigital.org.


SUGESTÕES E ENCAMINHAMENTOS


- Estabelecer diretrizes para a criação e fortalecimento do movimento de mulheres;
- Criar rede política de lideranças femininas;
- Promover iniciativas locais, para posteriormente inserir as mulheres nos espaços políticos;
- Levar ao conhecimento das mulheres seus direitos;
- Eleger, em cada instituição, uma representante que fará ponte com as assessoras. E dessas representantes eleger uma que representará o estado em fóruns e debates;
- Discutir temas como saúde da mulher, política, lazer entre outros;
- Realizar cursos de lideranças femininas regionais e nacionais;
- Criar rede de comunicação - lista de discussão de mulheres. Salas no Thean Talk para reuniões online, criação de página no facebook para divulgações relacionadas à mulher com deficiência visual;
- Criar calendário anual, para direcionar as ações, em âmbito regional e nacional;
- Mobilizar as mulheres do interior dos Estados;
- Fazer o dia D, no dia internacional da mulher, envolver a mídia para dar visibilidade;
- Fortalecer a participação da mulher nos espaços de controle social, como por exemplo, nas conferências municipais, estaduais e federais;
- Criar banco de dados para cadastrar as publicações científicas sobre a mulher com deficiência;
- Proporcionar momentos de confraternização e, através desses espaços inserirem temas que conscientizem e em poderem a mulher, bem como proporcionar momentos que possibilitem o desenvolvimento de sua consciência política;
- Trazer como tema a cultura inclusiva para  futuros encontros nacionais;
- Capacitação dos órgãos do poder judiciário no atendimento das pessoas com deficiência;
- Criar cursos de capacitação na área da educação física para trabalhar as modalidades desportivas junto às pessoas com deficiência;
- Criar o eixo “Mulher com deficiência”, na conferência nacional da mulher.

Em 19/12/2013."



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