quarta-feira, 30 de abril de 2014

DIA INTERNACIONAL DO TRABALHADOR




 Dia 1 de maio comemora-se o "Dia internacional do trabalhador". E, 128 anos depois de 1886, milhões de trabalhadores ao redor do mundo inteiro, continuam com uma jornada além das oito horas e morrendo ou sendo deformados, incapacitados e inutilizados pelos acidentes de trabalho.

 Somente na cidade de Curitiba, segundo estimativas, são mais de quatro mil acidentes de trabalho por ano. Por tras desta triste estatística, está a falta de segurança nos ambientes de trabalho, o excesso de exploração e as pressões competitivas dentro e fora dos locais de trabalho.

 Na atualidade, não obstante os discursos e os aparentes esforços pela humanização dos processos de trabalho, a verdade é que formas mais sutis de exploração foram desenvolvidas pelas corporações empresariais. A substituição do uso da expressão trabalhador por colaborador e que todos, patrões e empregados, pertencem a uma mesma família, representa uma espécie de cortina de fumaça, criada para encobrir as contradições que são próprias da luta de classes.

 Para além de todas essas balelas ideológicas que apareceram junto com a chamada reestruturação produtiva do capitalismo, o fato incontestável é que os proprietários dos meios de produção, quer dizer, os donos das industrias, dos bancos, dos estabelecimentos comerciais, de prestação de serviços e dos negócios agrículas, etc., continuam sendo os patrões e os trabalhadores os empregados assalariados.

 Se esta forma de relação social historicamente determinada, continua vigorando, significa dizer que as duas principais classes sociais com interesses antagônicos, também continuam vivas e atuantes.

 O dia do trabalhador e não simplesmente o dia do trabalho, como pretendem fazer crer alguns, em vez de comemorado com comidas e bebedeiras, ou na simples participação em shows musicais com a distribuição de prêmios, deveria ser uma data de reflexão critica dos trabalhadores, sobre o real e verdadeiro significado do Dia internacional do trabalhador.

 Somente em 1886, foram mais de cinco mil greves em todo os EUA, com o propósito de conquistar a jornada de oito horas de trabalho. "Depois de violenta repressão policial às greves, quatro operários são condenados à morte e outros à prisão perpétua sob a falsa acusação de terem cometido um atentado. A partir de então o 1º
de Maio tornou-se um dia de luta de toda a classe operária". (RICARDO ANTUNES, 1985, p. 27, O que é sindicalismo, Abril Cultural - Editora Brasiliense).

 Hoje, muitas das conquistas legais que os trabalhadores ainda desfrutam - fala-se ainda, porque os empresários unidos estão fazendo de tudo para acabar com elas - só existem porque no passado trabalhadores tiveram a disposição de lutar por elas e nos deixaram como legado.

 Se hoje conseguimos olhar para trás e sentimos orgulho daqueles que lutaram por justiça e que por certo tinham em mira um mundo do trabalho sem tantas violências, não conseguimos imaginar o que nossos filhos e netos vão pensar dos trabalhadores de hoje, amontoados como gado marcado com ferro em brasa, alienados de tudo e da sua própria personalidade, na frente de um palco, pulando e gritando, vendo e ouvindo um desses "artistas com suas canções cujas letras são tão ocas quanto as suas próprias cabeças.


Enio Rodrigues da Rosa.
 É mestre em educação e professor da Rede Estadual de Ensino.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

NOTÍCIA - Sobre a Greve


Após avaliação, professores e funcionários da Escola Prof. Osny Macedo, decidem manter a paralisação até a próxima quarta-feira.

Nesta data, nova reunião será realizada e o assunto retomado, caso a greve ainda não tenha terminado.

No dia de hoje, os professores e funcionários vão participar da caminhada e do ato público, que será realizado na frente do Palácio Iguaçu. Depois, vão acompanhar a assembleia geral da categoria, onde a continuidade da paralisação geral será discutida e deliberada.

sábado, 26 de abril de 2014

A GREVE CONTINUA!!!


 A direção do IPC, da Escola Osny Macedo Saldanha, os Professores (as) e os funcionários (as), pela primeira vez na história, conseguiram construir uma unidade de ação e paralisaram totalmente as atividades e estão participando ativamente da greve da categoria.

 Este realmente é um momento novo muito interessante. Não apenas pela adesão á greve, mas pela consciência que os Professores (as) e funcionários (as) estão tomando sobre a necessidade da luta social como instrumento político de pressão, na defesa da concretização dos seus direitos.

  É importante destacar que os Professores (as) e funcionários (as), não estão paralisados apenas na defesa dos seus interesses, mas sobretudo e principalmente na luta pela melhoria da qualidade da educação de todos os alunos e alunas cegos e cegas, ou com baixa visão, que estudam nas escolas públicas do Estado.

 Neste processo, não apenas as manifestações de apoio, mas a efetiva participação dos pais/mães e dos próprios alunos cegos ou com baixa visão, também é muito importante e pode fazer uma grande diferença neste momento histórico na vida desta Escola Especial.

 Por isso, na opinião do Professor Enio, Diretor do IPC e da Professora Idamaris, Diretora da Escola Osny, o fato dos próprios Professores (as) e funcionários (as), terem tomado a iniciativa de aderirem a greve, representa uma demonstração de descontentamento com os rumos da educação no Estado.

 Pelo menos até a próxima segunda-feira a Escola Osny continua fechada. Neste dia, lá na frente do Palácio Iguaçu, os Professores (as) e funcionários (as), se reúnem, avaliam e decidem se continuam paralisados, caso a Assembleia da categoria deste sábado, delibere pela manutenção da greve.

 Curitiba, 26 de abril de 2014.

 Prof. Enio Rodrigues.
 Diretor do IPC.
 Prof Idamaris Singulani Costa.
 Diretora da Escola Osny Macedo Saldanha.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Páscoa IPC e 3ª Gincana de Páscoa

Na manhã do dia 16 de abril, os alunos do Ensino Fundamental da Escola Professor Osny Macedo Saldanha, apresentaram uma peça teatral que levava o público presente a perceber o real significado da Páscoa e de seus símbolos. Além de interpretarem com desenvoltura, as crianças participaram da criação do cenário e das máscaras.

Houve ainda a participação de um aluno tocando violino, esse foi um momento de muita emoção para os familiares, professores, funcionários e outros alunos que assistiam ao espetáculo.










Neste mesmo dia, à tarde, aconteceu a 3ª Gincana de Páscoa em que toda escola se mobilizou por um momento lúdico de união e descontração. O dia foi recheado de brincadeiras e gostosuras como algodão doce e deliciosos chocolates.

















terça-feira, 8 de abril de 2014

Prof. Lilian Merege Biglia recebe "Prêmio Cidade Curitiba 2014"

 Por Lilian Merege Biglia


Sou filha de um casal de professores.
Tive a sorte de ser aluna de meu pai, o maestro e profº Aparício Biglia Filho, e testemunhei a alegria e entusiasmo com que ele ministrava suas aulas. Querido pelos alunos e colegas, eu era a pessoa mais feliz do mundo por ser filha daquele homem que tinha a música na alma e adorava compartilhar essa paixão. 

Minha mãe, Wilma Holtz Merege Biglia, foi uma professora tão dedicada que levava seus alunos para nossa casa no turno contrário da escola e os ensinava até que aprendessem. Não foram poucas as vezes que vi minha mãe às voltas com seus alunos, até mesmo calçando-os e vestindo-os quando notava que os pais das crianças não tinham boas condições financeiras. 

Todos os professores de minha família, avós, tios e primos (as) foram exemplos de dedicação, altruísmo e competência, mas quero salientar duas pessoas muito significativas para minha formação profissional no que concerne ao verdadeiro sentido de educar e ser comprometida com meu trabalho. 

Foram eles, meu tio, Wagner Holtz Merege, estimado professor de Educação Física em Jacarezinho – PR e minha prima, Regina Holtz Galvão, excelente professora de matemática da rede pública de Curitiba. 

Cursei Educação Física influenciada por querer ser alguém como meu tio Wagner, amado, respeitado, admirado e com uma alegria inspiradora.

De minha prima Regina escutei uma frase que pautou meu caminho como educadora: “Lilian, precisamos ser comprometidas com a classe trabalhadora do Brasil e transformar para melhor a realidade dos filhos dessas pessoas, tão marginalizadas e com poucas oportunidades na vida. Precisamos deixá-los em pé de igualdade com todos os outros... essa é a nossa missão!”

Essas duas pessoas influenciaram bastante a minha vida profissional e devo a elas muito do que sou hoje como professora de educação especial e reabilitadora de pessoas que perderam a visão. 

Meu trabalho no Instituto Paranaense de Cegos sempre foi pautado na troca e no compartilhamento, aprendendo, ensinando, apoiando, acolhendo e sendo um pouco enérgica se assim fosse necessário, mas sempre acreditando que a prática educativa podia mudar ou transformar aquela realidade que se abria na minha frente, compreendendo a vida como um campo de possibilidades ilimitado. 

Com meus alunos me transformo todos os dias, me inspiro a ser mais forte e melhor, vou me motivando com a coragem e persistência de cada um deles. Juntos transformamos dor em possibilidade, angústia em desafio e acima de tudo nos tornamos parceiros na luta pela eliminação do preconceito em relação à pessoa cega ou com baixa visão.
Uma das coisas mais bonitas na minha profissão é ver a mudança que ocorre com as pessoas que chegam ao IPC para a reabilitação, todo o processo de mudança que de início parece difícil, no dia a dia vai se provando o contrário e, finalmente, quando menos esperam, percebem que já estão prontos para uma vida diferente e desafiadora. Isso é lindo!        
Agradeço sempre por ter tido a oportunidade de compartilhar minha vida com pessoas tão especiais e que me oferecem todos os dias o melhor presente que alguém pode ganhar: a oportunidade de ser útil. 

Se existe um segredo para a educação, esse segredo é o afeto. Espero sempre alimentar o meu afeto pelo meu trabalho, pelos meus alunos, e por outros professores e professoras como eu.

Agradeço ao vereador Pedro Paulo que me concedeu a honra de receber essa homenagem e reitero aqui minha admiração pelo homem que é e pelas suas ações positivas e dignas na vida pública. Obrigada. 



Professora Lilian Merege Biglia, professora de Orientação e Mobilidade, do Instituto Paranaense de Cegos, recebendo o "Prêmio Cidade de Curitiba 2014" das mãos do vereador Pedro Paulo.

Vereador Pedro Paulo
Gustavo Fruet













Na reinauguração do Palácio Rio Branco, prédio histórico da Câmara Municipal de Curitiba, também estiveram presentes algumas autoridades, como o Prefeito Gustavo Fruet.




Fonte: Câmara Municipal de Curitiba / Reinauguração do Palácio Rio Branco - Fotos: Anderson Tozato/CMC


domingo, 6 de abril de 2014

A FAS, O IPC, O TCE E A JUSTIÇA





 Enio Rodrigues da Rosa.
 É mestre em educação e Diretor do IPC.



 A Fundação da ação Social - FAS, de Curitiba, está acusando o Instituto Paranaense de Cegos - IPC, de cometer desvio de finalidades com recursos de um convênio.



 Em resumo, trata-se da seguinte questão: parte do valor total de um determinado convênio, no plano de aplicação, indicamos que uma certa quantia seria para reformar as mesas do refeitório da instituição. Contudo, na realização do serviço, depois de avaliarmos a relação custo beneficio, decidimos comprar mesas novas, o que resultou numa melhor aplicação do recurso público, com produto de melhor qualidade e muito mais bonito.



 Por isso, o IPC precisa devolver cerca de 4.600,00 (quatro mil e seiscentos reais), simplesmente porque indicamos a reforma e depois compramos as mesas. Na realidade, a questão central não é nem mesmo os valores e nem tampouco a devolução, pois se for realmente preciso, vamos devolver sem nenhum problema.



 Primeiramente, fazemos questão de esclarecer que o convênio em questão só foi firmado depois de uma falha da própria FAS, por conta de um erro da sua própria Assessoria Jurídica. Toda lambança começou ainda na administração anterior, depois que a demora exagerada na elaboração de um termo de convênio, acabou trazendo várias consequências não apenas para o IPC, mas também para outras instituições.



 Por conta desta trapalhada, resultou que o IPC teve que arcar com cinco meses de despesas, correspondentes aos valores do convênio. Para reparar parte do erro, a FAS abriu a possibilidade das instituições elaborarem projetos ao Fundo de Apoio ao "Deficiente" - FAD, até o valor máximo de 27.500,00 (vinte e sete mil e quinhentos reais).



 No caso do IPC, deste valor total, indicamos cerca de cinco mil reais para a reforma das mesas do refeitório da entidade. Como já resumimos no início, a compra foi feita, o dinheiro transferido da conta do IPC diretamente para a conta da empresa, os comprovantes da transferência e a nota fiscal foram juntados na prestação de contas do convênio.



 Na análise da prestação de contas, os técnicos da FAS não pediram nenhuma explicação e também não mandaram nenhum técnico da Fundação verificar in loco se o dinheiro realmente havia sido aplicado na compra das mesas. Trata-se de um procedimento comumente utilizado como forma de conferir no próprio local, antes da decisão de penalizar uma parceira.



 Portanto, fomos sumariamente acusados do uso indevido de recursos públicos, sem sequer terem nos dado o direito ao contraditório, um dos princípios mais sagrados no direito. Simplesmente recebemos uma correspondência acusando sobre o desvio de finalidades dos recursos públicos e já com o boleto de recolhimento em nome da FAS.



 Como não somos de aceitar imposições sem as devidas e necessárias explicações, simplesmente porque essas imposições descem pela mão firme e pesada do próprio poder público, recorremos utilizando-se do direito ao contraditório e solicitando que a FAS fundamentasse com base em dispositivos legais, onde configurava-se o alegado desvio de finalidades.



 Novamente, simplesmente recebemos uma correspondência afirmando que o recurso havia sido negado, mais uma vez com o boleto de recolhimento e sem as explicações solicitadas. O que mais nos deixa intrigados em situações semelhantes, é a arrogância e a prepotência do poder público, de achar que ele nunca deve nenhuma explicação para ninguém.



 Recorremos novamente, desta vez diretamente ao Conselho do FAD. No entanto, além de não recebermos nenhuma resposta deste recurso, ainda fomos surpreendidos quando por acaso, descobrimos que o processo de prestação de contas daquele convênio já havia sido enviado ao Tribunal de Contas do Estado - TCE, sem nenhuma menção aos recursos indeferidos e pendentes.



 Diante do descaso da FAS, recorremos também ao TCE e agora estamos aguardando o resultado final. Se nossos recursos não obtiverem êxito também no TCE, vamos recorrer na justiça comum e deixar que ela, no uso de sua atribuição constitucional, de dirimir as dúvidas jurídicas, decida quem está com a razão, se a FAS ou o IPC.



 Segundo a nossa interpretação, estamos diante de uma decisão meramente técnica. Para a FAS, o objeto da ação era a reforma das mesas. Para o IPC, o objeto da ação era as mesas.



 Ao que parece, estamos aqui diante de uma inversão no princípio lógico das coisas: em vez da técnica, enquanto ciência, estar a serviço dos técnicos, os técnicos é que são dominados pelas questões técnicas. Opera-se aqui a inversão onde o criador transforma-se em criatura. O homem desenvolveu a técnica e hoje virou prisioneiro da técnica que ele mesmo criou.



 Há um princípio no direito, segundo o qual, a quem acusa cabe o ônus da prova. A FAS não provou que o IPC realmente cometeu desvio de finalidade comprando as mesas.
Numa possível ação na justiça, ela precisará apresentar as provas legais que havíamos solicitado por ocasião dos recursos.



 Realmente, é muito triste constatar que em meio a tantas roubalheiras e desvios de finalidades de dinheiro público, esparramadas por todos os cantos deste país, de repente, uma instituição que demonstrou ter gastado o dinheiro na finalidade indicada no plano de aplicação, ou seja, as mesas, por uma questão meramente técnica,
seja obrigada a devolver recursos que tanto necessita.



 O que nem a FAS e nem o TCE poderá acusar, é que o IPC recebeu dinheiro para mesas e comprou borboletas. O resto é preciosismo de técnicos com pensamentos dogmáticos que não conseguem escapar a letra fria da legislação.



 Uma vez comprovado que os recursos foram utilizados na compra das mesas, não fica configurada uma eventual má fé por parte da instituição. Para o TCE, a FAS poderia ter feito uma justificativa. Para o IPC, a FAS poderia ter feito uma recomendação alertando sobre o ocorrido, avisando que isso não poderia mais se repetir.



 De qualquer maneira, vamos aguardar e esperar que os auditores do TCE tenham um pouco mais de bom senso do que os técnicos da FAS que analisaram a prestação de contas feita pelo IPC.



 Na defesa de nossa convicção e dos direitos da instituição, se preciso for, como já adiantamos, vamos travar batalhas em outras esferas. Não vamos nos dar por convencidos e derrotados somente porque certas "verdades" supostamente corretas, formuladas de longe da realidade concreta da instituição, são impostas e deveriam ser engolidas sem questionamentos.



 Por isso, quando duas "verdades" entram em contradição, é necessário buscar num árbitro de fora uma manifestação sobre qual das "verdades" está com a razão, a luz da legislação em vigor.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Documento sobre a Reunião com o DEEIN - Departamento de Educação Especial e Inclusão Educacional


As propostas abaixo foram apresentadas pelos representantes da Associação Cascavelense de Pessoas com Deficiência Visual - ACADEVI, no último dia 31 de março, numa reunião com os representantes do Departamento de Educação Especial e Inclusão Educacional - DEEIN.



Integrantes do IPC também estiveram junto no encontro, marcado para discutir as mudanças que a SEED/DEEIN já estão implementando na educação das pessoas com deficiência visual no Estado.



O ponto que mais preocupa os representantes do IPC e da ACADEVI, reside na transformação dos CAEDEVS em Salas de Recursos Multifuncionais na área da deficiência visual. Com essas mudanças, corre-se o risco de que as pessoas cegas ou com baixa visão que necessitam dos serviços e não estão matriculadas nas escolas comuns, deixem de receber esses serviços especializados.



Todos os representantes do DEEIN, assumiram o compromisso e afirmaram com convicção que essas mudanças não acarretarão prejuízos nos pontos já conquistados. Os representantes do movimento saíram um pouco mais aliviados, mas vão esperar para constatar de o discurso vai se concretizar na prática.


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